Pré-Inscrição

Ah, o Carnaval! Uma época do ano repleta de aglomerações, trios elétricos barulhentos e festas selvagens. No entanto, nem só deste tipo de diversão vivem os seres humanos. Livros e feriados combinam muito bem também. O Carnaval é uma ótima oportunidade para você colocar em dia a leitura acumulada ou simplesmente aproveitar a companhia dos livros nesses dias de folga. Aqui está uma lista com sugestões de títulos interessantes. Todos são lançamentos recentes: vai de poesia brasileira a histórias em quadrinhos e questões políticas. Gostando ou não de folia, lembre-se dos livros nos feriados. Ler é bom demais.

“A Garota Dinamarquesa”, de David Ebershoff

Inspirado na história da dinamarquesa Lili Elbe (1882-1931), considerada uma das primeiras pessoas transgêneras a fazer a cirurgia de mudança de sexo, o romance de Ebershoff narra a transformação da protagonista. Antes de perceber-se como mulher, via-se como um homem: Einar era um renomado pintor. Seu casamento, sua arte e sua vida social são afetados pela mudança. E o desafio de ser quem ela realmente é em uma época em que a ciência e a sociedade pouco sabiam a respeito da transgeneridade torna-se um desafio. O livro foi adaptado para o cinema, sob direção de Tom Hooper (Os Miseráveis).

“Grande Magia: Vida Criativa sem Medo”, de Elizabeth Gilbert

Neste livro de não ficção, a autora do sucesso Comer, Rezar e Amar investiga a criatividade em textos jornalísticos e autobiográficos. Segundo a autora, a curiosidade é essencial para se viver uma vida sem medo. Por meio de seu texto claro e envolvente, Gilbert entra em assuntos como viver o cotidiano com mais paixão e lidar com dificuldades no trabalho. O livro se divide em seis partes: coragem, encantamento, permissão, persistência, confiança e divindade. Você pode começar por esta palestra no Ted para ouvir o que a autora tem a dizer sobre criatividade e sua pesquisa sobre o assunto.

“Entre o Mundo e Eu”, de Ta-Nehisi Coates

Entre o Mundo e Eu é, antes de mais nada, uma carta do autor para o próprio filho. Uma das vozes negras de mais ressonância na atualidade, Coates, aclamado jornalista da Atlantic, usa experiências pessoais para relatar como é ser negro nos Estados Unidos e dizer ao filho que, apesar de resquícios da escravatura estarem presentes até hoje na sociedade, é possível encontrar seu lugar no mundo. O escritor entrelaça, no livro, a história dos EUA com preocupações íntimas que apenas um pai pode ter pelo filho. O New York Times elogiou Entre o Mundo e Eu por este ser dirigido apenas a pessoas negras. O livro venceu o National Book Award, um dos principais prêmios literários do país. Em 2016, o autor estreia como roteirista dos quadrinhos do super-herói Pantera Negra, da Marvel.

“Revival”, de Stephen King

Jamie Morton, com seus 30 a poucos anos, toca em uma banda de rock, é dependente químico e vive atormentado por uma lembrança terrível do passado. Ele reencontra, inesperadamente, um dos personagens desse momento: o carismático reverendo Jacobs, expulso da cidade muitos anos atrás após chocá-la em um sermão. Obcecado por experimentos elétricos, Jacobs “cura” Jamie. Após isso, o protagonista percebe não ser a mesma pessoa de antes, mas agora ele já está envolvido com o reverendo, que parece estar enlouquecendo. Em mais um elogiado romance de terror, Stephen King retrata o comportamento humano em seus momentos mais sombrios e esquisitos.

“O Livro da Literatura”

Se você tem vontade de investigar escritores e suas obras de modo dinâmico e divertido, aqui está a oportunidade. O novo livro da coleção As Grandes Ideias de Todos os Tempos estuda clássicos literários de diferentes gêneros, analisando as influências que permeiam essas obras e o contexto histórico em que elas surgiram. O livro foi escrito por pesquisadores e professores que são peritos no assunto.

“Kaos Total”, de Jorge Mautner

Cantor e compositor que já gravou com Caetano Veloso e Gilberto Gil, Jorge Mautner também tem vasta experiência na literatura e no cinema. Em Kaos Total, diversos materiais até então inéditos do autor são apresentados na seleção de conteúdos feita por João Paulo Reys e Maria Borba, como poemas, prosa poética e pinturas. O livro registra variações na criatividade de um artista surpreendente, que tem em seu DNA o tropicalismo, a política e as diferentes linguagens da arte.

“Como Curar um Fanático”, de Amós Oz

Em tempos como o de hoje, em que a discussão sobre política está permeada de extremismo e pouca abertura para o diálogo, o livro do israelense Amós Oz cai como uma luva. O autor sugere uma solução ponderada para o conflito entre seu país de origem e a Palestina. Além disso, reforça a importância do bom humor contra o fanatismo. “Nunca vi um fanático com senso de humor”, disse em entrevista ao Globo. “Nem uma pessoa com senso de humor se tornar fanática, a não ser que perca a graça.” A nova edição de Como Curar um Fanático tem um ensaio escrito em resposta aos atentados ocorridos em Paris, em novembro de 2015.

“Eu Sou a Lenda”, de Richard Matheson

No futuro, uma praga transforma pessoas em seres noturnos sedentos por sangue. O protagonista Robert Neville é o último ser humano vivo. Ele passa o dia a dia procurando suprimentos, enquanto escapa dos vampiros. Eu Sou a Lenda é uma das obras mais importantes da ficção pós-apocalíptica, subgênero que esteve em seu auge na década de 1950, quando Richard Matheson a publicou pela primeira vez. O livro abriu caminho para as várias histórias com zumbis que vemos hoje por aí, além de ser um marco por usar a ciência para se justificar. George A. Romero, cineasta de filmes clássicos de zumbi, e o escritor Stephen King, mestre do terror, se influenciaram por Eu Sou a Lenda.

“Peanuts Completo – 1965-1966”, de Charles Schulz

O livro, em edição de capa dura, é o oitavo da série lançada pela L&PM que resgata clássicos da tirinha Peanuts. Aqui, a personagem Patty Pimentinha, sardenta e moleca, é apresentada pela primeira vez, em uma colônia de férias onde Charlie Brown está com amigos. Já o carismático Snoopy, de capacete e óculos escuros, está no topo de sua casinha fingindo ser o Ás da Aviação. Peanuts Completo – 1965-1966é o registro de um dos períodos mais criativos de Charles Schulz, criador da tirinha.

Viagem ao Redor da Garrafa: um Ensaio sobre Escritores e a Bebida, da Olivia Laing

Jornalista do Guardian, Olivia Laing investiga em Viagem ao Redor da Garrafa a relação de grandes escritores da língua inglesa – como Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald e Tennessee Williams – com o álcool e a influência deste na criatividade e na vida desses gênios das letras. Misturando reportagem, memória e crítica literária, Laing reforça o potencial que a literatura tem de registrar as experiências humanas mais difíceis. Uma leitura indispensável para os curiosos sobre a literatura e seus maiores representantes.

“O Escultor”, de Scott McCloud

Após nove anos sem publicar um quadrinho impresso, Scott McCloud, conhecido por suas obras teóricas sobre a “nona arte”, lançou em 2015 a graphic novel O Escultor, que marca também a estreia do autor na ficção (a edição brasileira foi lançada em dezembro do mesmo ano). Na história, o talentoso escultor David, em mau momento da carreira, ganha da Morte – que aparece na forma de um tio –, a habilidade de esculpir o que quiser, e com as próprias mãos, em troca de apenas mais 200 dias de vida. Mas logo após isso, o rapaz se apaixona. O Escultor é um dos quadrinhos mais elogiados de 2015: o Los Angeles Times avaliou a obra como “ambiciosa” e “imaginativa”.

“Outros Cantos”, de Maria Valéria Rezende

Neste livro de memórias escrito pela ganhadora do Jabuti – em 2015, por Quarenta Dias –, o principal prêmio literário brasileiro, a professora Maria volta para o Nordeste do País após muitos anos longe dele. Carregando na mala lembranças e o objetivo de alfabetizar pessoas em uma cidadezinha no sertão, a personagem se engaja em algo muito maior que ela mesma. A escritora conta a história com emoção e sutileza.